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‘Estava amarrado em cima da cama e ele ficava insistindo e pedindo o celular’, diz vítima de milícia digital em Macapá sobre invasões e ameaças

Investigação da Polícia Federal aponta uso de recursos públicos para financiar rede de ataques políticos. Relatos incluem invasões de casas e intimidações.

Por Alexandre Hisayasu, Maria Eduarda Furtado, Rede Amazônica, g1 AP — Macapá
29/06/2026 11h45 Atualizado há 2 horas


  • Investigação da Polícia Federal identificou uma estrutura instalada dentro da Prefeitura de Macapá.
  • Segundo os investigadores, a estrutura utilizava recursos públicos para financiar uma rede de produção de conteúdo político nas redes sociais, ataques a adversários e pagamentos a influenciadores digitais.
  • O esquema, alvo da Operação Palanque Digital, teria movimentado mais de R$ 25 milhões.
  • Pela primeira vez, pessoas que afirmam ter participado da estrutura ou que tiveram acesso às informações da investigação relataram à Rede Amazônica episódios de ameaças.
    Vítima de milícia digital em Macapá relata invasões e ameaças sofridas

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    Vítima de milícia digital em Macapá relata invasões e ameaças sofridas
    A Polícia Federal identificou uma estrutura dentro da Prefeitura de Macapá que, segundo os investigadores, usava recursos públicos para financiar produção de conteúdo político nas redes sociais, ataques a adversários e pagamentos a influenciadores digitais. O esquema, alvo da Operação Palanque Digital, teria movimentado mais de R$ 25 milhões.
    Pessoas ligadas à investigação relataram à Rede Amazônica episódios de ameaças, invasões e intimidações após o avanço das apurações.

  • Um dos relatos é do psicólogo Gleidson Alves Barros, apontado pela PF como operador da estrutura. Segundo ele, um homem armado invadiu seu apartamento em busca do celular onde estariam armazenadas informações relacionadas ao funcionamento do grupo.
    “A minha casa foi monitorada. Tinha um carro passando, gravando o meu apartamento o tempo todo. E a minha casa também foi invadida por uma pessoa desconhecida, querendo o celular onde tinha informações, e estava armado. Eu achei que naquele momento ia morrer. Eu estava amarrado em cima da cama e ele ficava insistindo e pedindo o celular. Queria saber se eu tinha informações contra o prefeito”, afirmou.
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    Segundo a PF, o episódio integra o conjunto de fatos investigados na Operação Palanque Digital, realizada no dia 25 de junho.

Como a estrutura funcionava

De acordo com relatório da PF, a estrutura funcionava dentro da Prefeitura de Macapá e reunia agentes públicos, produtores de conteúdo e influenciadores digitais. O grupo produzia publicações favoráveis ao então prefeito Antônio Paulo de Oliveira Furlan e ataques a adversários. A PF aponta o ex-prefeito e atual pré-candidato ao Governo do Amapá como principal beneficiário, com indícios de que tinha conhecimento e concordava com a atuação.
O núcleo de coordenação era composto por pessoas ligadas diretamente à administração municipal:
José Furlan Neto (irmão do ex-prefeito): mencionado como um dos coordenadores políticos do grupo, articulava operadores da estrutura digital e pagamentos.
José Ivo Melo Souza, então secretário de gabinete: apontado como